quarta-feira, 18 de março de 2009

e se eu me perder ?

Por mais que isso te magoe,
eu não perco a poesia...
Não perco o poema na folha,
nem a pose de fortaleza.

A pose imortal de 'porra-loca',
em mim, inconfundível...
E outra postura combina?
Em mim, roupa que cai bem.

Só interpreto o papel que gosto,
como uma grande atriz...
Mas a minha vida não é peça,
então, só não sofro.

Não largo os meus lugares,
minhas esquinas de sempre...
Minhas correções diárias,
de humor, de dor, de alegrias.

Talvez teria sido melhor,
se eu não estivesse tão perto.
Mas não me agradaria longe.
Não me arrependo. Passado.
(metódica: 5x4)

terça-feira, 17 de março de 2009

e falta ...

Talvez eu seja exatamente isso,
uma falta de horizonte, de tela...
Um futuro sem direção,
espelho sem promessas.

Uma morte assim, bem perto.
A poesia esdruxula, perda de tempo.
Um riso amarelo, sem graça, torto...
Ah, lamentações e é só.

Quero e gosto de escrever sobre.
Mesmo que os olhos não sigam certo,
porque as lágrimas o embaçam...
Rio d'água sem parada, sem final.

Mas que calma, músicas e sons...
Queria eu ser assim, sinfonia.
Harmoniosa, cheia de nuances.
Um charme atencioso e natural.

Mas não, faço tudo errado sempre.
Caio um pouco em cada esquina,
bato em todas as possíveis quinas.
Destruo o que eu nem tenho, reputação.
(5x4)

Veraneio .

Eu venho aqui pra me sentir só...
Ou consolar-me, talvez, não sei.
Precisava de um lugar que pudesse
ser meu melhor esconderijo.

Nas palavras eu me escondo.
E posso sentir medo a vontade,
debulhar-me em lágrimas,
sem que ninguém as veja.

Não quero ficar em volta
sempre a tantas cores...
Preciso de algo simples,
como a chuva, as vezes.

De todo, mesmo, preciso
de um sorriso ou lágrima.
Mas na escuridão não se vê.
E dela minh'alma está repleta.

Ah, se eu morro de saudade.
Fica tudo como está...
Ah, se eu morro de medo,
ninguém vai notar.
(5x4)